Hilda Hilst – Cadernos de Literatura Brasileira, n. 8, p. 30, 1999
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Quando eu tinha oito anos, minha maior vontade era ser santa. Eu estudava em colégio de freiras, rezava demais, vivia na capela. Sabia de cor a vida das santas. Eu ouvia a história de Santa Margarida, que bebia água dos leprosos, e ficava impressionadíssima. Vomitava todas as vezes que as freiras falavam disso. Elas diziam: “Não é para vomitar!” Eu queria demais ser santa.
Hilda Hilst – Cadernos de Literatura Brasileira, n. 8, p. 30, 1999
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terça-feira, 29 de abril de 2008
Filhinha
Deus não é severo mais,
suas rugas, sua boca vincada
são marcas de expressão
de tanto sorrir para mim.
Me chama a audiências privadas,
me trata por Lucilinda,
só me proíbe coisas
visando o meu próprio bem.
Quando o passeio
é à borda de precipícios,
me dá sua mão enorme.
Eu não sou órfã mais não.
Adélia Prado in Poesia Reunida
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segunda-feira, 28 de abril de 2008
Literatura e Justiça
Hoje, de repente, como num verdadeiro achado, minha tolerância para com os outros sobrou um pouco para mim também (por quanto tempo?). Aproveitei a crista da onda, para me pôr em dia com o perdão.
Clarice Lispector in Para Não Esquecer
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domingo, 27 de abril de 2008
Luto e Renascimento
...Reaprendi algo da infância que havia esquecido nas correrias com família e profissão. Como todas as crianças - se não as estorvarmos demais -, eu gostava de ficar sozinha, quieta e totalmente feliz olhando figuras de um livro, escutando o vento e a chuva ou as vozes da casa.
Passamos a temer a solidão em adultos, talvez porque a sentimos como isolamento, esse que também ocorre numa casa habitada. Vamos perdendo a capacidade de sermos integrados com o universo, mesmo minúsculo universo de um pedaço de jardim ou quarto de criança. E nos privamos do necessário recolhimento que algumas vezes nos reabasteceria com o combustível da reflexão, do silêncio e do sentimento mais natural das coisas.
Passamos a temer a solidão em adultos, talvez porque a sentimos como isolamento, esse que também ocorre numa casa habitada. Vamos perdendo a capacidade de sermos integrados com o universo, mesmo minúsculo universo de um pedaço de jardim ou quarto de criança. E nos privamos do necessário recolhimento que algumas vezes nos reabasteceria com o combustível da reflexão, do silêncio e do sentimento mais natural das coisas.
Lya Luft in Perdas & Ganhos
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sábado, 26 de abril de 2008
Confissões de um Romancista
... Não creio que um dia o crime, a guerra e as diferenças sociais possam ser de todo eliminados. Mas acredito firmemente num mundo melhor, em que os homens possam viver numa relativa harmonia e felicidade.
Tenho conhecido os mais estranhos e variados tipos humanos. Tenho visto muita maldade, muita injustiça, muita covardia e muita abjeção de caráter. Por outro lado, porém, criaturas nobres, corajosas e desinteressadas atravessaram milagrosamente o meu caminho.
Tenho conhecido os mais estranhos e variados tipos humanos. Tenho visto muita maldade, muita injustiça, muita covardia e muita abjeção de caráter. Por outro lado, porém, criaturas nobres, corajosas e desinteressadas atravessaram milagrosamente o meu caminho.
Fazendo um balanço de minha experiência, verifico que o saldo contra a espécie humana é enorme. Razão para pessimismo? Não. Eu me obstino em acreditar no homem e na dignificação da vida. Talvez se possa dar a isso o nome de Fé. É uma idéia que me consola...
Erico Veríssimo in Confissões de um Romancista
palestra na ARI-Associação Rio-grandense de Imprensa
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sexta-feira, 25 de abril de 2008
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